Devir
O tornar-se.
Conceitos
Os termos com que a Psicologia Procedural pensa. Cada um faz um trabalho próprio; aqui estão as definições, reunidas em um só lugar.
O núcleo processual
Três palavras descrevem o movimento de tudo o que existe.
O tornar-se.
O movimento contínuo do tornar-se.
A dinâmica pela qual o movimento se organiza e se transforma.
O Concreto
Concreto. Aquilo que, na existência humana, é atravessado por necessidades, relações, condições e possibilidades.
O concreto está em movimento, e o movimento acontece no concreto.
A vida concreta de quem vive o fenômeno como processo, não como algo pronto e acabado.
As ações passíveis de adoção para transformá-lo e superar o incômodo.
A perspectiva
A perspectiva se diz articulativa, processual e relacionática. Não competem entre si: descem todas de um só princípio, o processual.
A disposição de colocar diferentes perspectivas em relação sem apagar suas diferenças.
Tudo que existe está dentro de processos — o andamento das coisas. É a raiz de onde as outras duas crescem.
A dimensão dinâmica e processual das relações humanas: os vínculos da pessoa consigo e com o meio podem eles mesmos servir para alterar esses próprios vínculos.
De um só princípio — a realidade humana é processo — nascem o método, a estrutura e a substância da perspectiva.
Ler o processo que gerou o fenômeno e compor o processo que o transforma.
Aquilo que gera e aquilo que resolve partilham a mesma anatomia.
A matéria do processo é relação — e a relação age sobre si mesma.
O termo que dá nome
Procedural. Uma linguagem contemporânea para representar, compreender e acompanhar processos.
Tem dois sentidos, inseparáveis. Retroativo: as condições que já produziram um fenômeno — o processo que rodou. Proativo: os arranjos que se pode dispor para transformá-lo — o processo que se pode reescrever.
Não é uma simples metáfora computacional: é a natureza processual do fenômeno humano que torna pertinente a linguagem procedural, e não o contrário. E o código procedural existe para ser reescrito, não para fixar o sujeito — ao contrário do CID, que codifica para aprisionar.
O movimento central
Três noções que sustentam a virada da abordagem. O texto completo está em A Apropriação do Processo — o que “proceduralidade” significa de fato.
O encadeamento de condições, acontecimentos, respostas e consequências que se desenvolve e se transforma sem uma intenção organizadora — a história que nos constitui sem termos, por nós, deliberadamente organizado.
Participar deliberadamente da organização desse encadeamento: reconhecer as condições, identificar possibilidades de intervenção e dispor novas condições e contingências que favoreçam outros percursos.
A passagem de quem apenas está submetido ao encadeamento das circunstâncias para quem participa intencionalmente de sua organização. Não é controle absoluto nem liberdade absoluta: é viabilizar que outros resultados possam ocorrer.
Distinções operativas
Diagnóstico é nomear uma configuração para orientar o cuidado — instrumento legítimo. Diagnosticismo é confundir o nome com a coisa, e a coisa com a pessoa: tomar a categoria como essência.
A partir de González Rey: organizações histórica e socialmente constituídas do vivido. É o que existe no lugar da “doença mental” tomada como objeto fixo.
Reconhecer a margem de participação do sujeito na transformação, sem responsabilizá-lo pelas condições que não escolheu.
O espaço de participação possível do sujeito na reescrita do próprio processo — nem determinismo, nem voluntarismo.
O chão sob as lentes
Não há lente que seja o todo — mas há um chão sob todas as lentes.
A pluralidade vale no plano das formas de viver; o universal, no plano das condições de existência — a saúde, o ambiente, sem os quais não há sobre o que exercer lente alguma. A perspectiva recusa o universal que se faz lente única e admite o universal que é condição de possibilidade. A realidade é dialética: afirma e nega em planos distintos.
O vocabulário do devir — cada conceito, um trabalho próprio.
No Fluxo do DevirA Psicologia Procedural também toma palavras emprestadas da Era Digital. Por quê — e como as doma:
A seguirDo Empréstimo — por que a perspectiva pode falar a língua da Era Digital sem se mecanizar