Fundamentos

Autores e perspectivas

Cada bloco traz resumo, citação direta e correlação com a Psicologia Procedural, como no manuscrito.

Heráclito e o Panta Rhei

Resumo. Heráclito de Éfeso (c. 500 a.C.) ensinou que tudo flui e nada permanece: não se entra duas vezes no mesmo rio. A realidade é devir, e a tensão dos opostos é o motor da mudança.

Citação (tradicionalmente atribuída). “Panta rhei” — tudo flui; “não se pode entrar duas vezes no mesmo rio”.

Correlação. É a raiz mais antiga do Devir e da dialética da Psicologia Procedural. O Fluxo e o Concreto em Movimento nascem aqui; e a unidade dos opostos — afirmar e negar em planos distintos — é a semente do método dialético que articula a perspectiva.

Politzer e o drama pessoal

Resumo. Politzer (1928) defendeu uma Psicologia Concreta, centrada no drama pessoal. O sujeito não pode ser reduzido a abstrações: deve ser compreendido em sua história concreta.

Ideia central. O drama pessoal é o núcleo da existência (Politzer, 1928).

Correlação. O sofrimento é lido como um script existencial, encadeado por experiências concretas que funcionam como instruções de um programa de vida. Cada evento é uma “linha de código”; o terapeuta procedural atua como depurador.

Vygotsky e a mediação cultural

Resumo. Vygotsky (1934/2001) destacou a importância da linguagem e das relações sociais na formação da consciência.

Citação. “Toda função psicológica superior aparece duas vezes: primeiro no plano social, depois no plano individual” (Vygotsky, 1934/2001).

Correlação. Linguagem e relações são instruções internalizadas. Os procedimentos do sofrimento não são apenas individuais: são também culturais e históricos. A linguagem funciona como um “compilador”.

Engel e o paradigma biopsicossocial

Resumo. Engel (1977) propôs que saúde e doença resultam da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Ideia central. O modelo biomédico é insuficiente; precisamos de um paradigma biopsicossocial (Engel, 1977).

Correlação. Esse modelo é lido como módulos interdependentes em execução, que se comunicam e retroalimentam. O adoecimento emerge quando há falha ou sobrecarga em um desses módulos.

Skinner e a análise funcional

Resumo. Skinner (1953) sistematizou a análise funcional do comportamento, mapeando antecedentes, respostas e consequências.

Ideia central. O comportamento é função de suas consequências (Skinner, 1953).

Correlação. Condicionais e loops comportamentais podem ser depurados. A Psicologia Procedural mapeia os loops de repetição que mantêm padrões disfuncionais, permitindo que o sujeito reescreva suas respostas.

Seligman e a psicologia positiva

Resumo. Seligman (1998) ampliou o foco para o bem-estar e resiliência — não apenas o alívio do sofrimento.

Ideia central. A psicologia deve se preocupar não apenas com reparar o que está errado, mas também com construir o que está certo (Seligman, 1998).

Correlação. A reprogramação procedural não se limita a eliminar loops negativos: cria também novos loops de bem-estar.

Husserl e a fenomenologia

Resumo. Husserl (1913/1980) descreveu a experiência como sequência de atos intencionais.

Citação. “Voltar às coisas mesmas” (Husserl, 1913/1980).

Correlação. O mapeamento processual permanece fiel à vivência. Cada ato intencional é uma instrução do fluxo da consciência.

Cibernética, sistemas e computação

Resumo. A cibernética (Wiener, 1948) e a teoria dos sistemas (von Bertalanffy, 1968) oferecem a lógica de feedback e interdependência. A computação fornece a metáfora organizadora.

Citação do manuscrito. O sofrimento como programa que pode ser compreendido e reprogramado.

Correlação. Cibernética e sistemas sustentam a visão do sujeito como sistema em execução. A computação organiza a metáfora procedural.

González Rey e as configurações subjetivas

Resumo. Fernando González Rey (1949–2019), psicólogo cubano-brasileiro formado em Havana e doutorado em Moscou na tradição de Vygotsky, radicado em Brasília. Sua Teoria da Subjetividade, cultural-histórica, propõe superar a clínica da patologia com os conceitos de sentidos subjetivos e configurações subjetivas.

Formulação (nas palavras da Psicologia Procedural, a partir de González Rey). A doença mental não existe como um objeto localizado — um CID que torna o sujeito em código. O que existem são configurações subjetivas.

Correlação. É o ancestral mais próximo da perspectiva: vygotskiano, dialético, processual e social. A configuração subjetiva é a própria linguagem do concreto em movimento. E a crítica ao CID, que fixa o sujeito num código fechado, distingue-o do código procedural — que existe para ser reescrito, não para aprisionar.

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